domingo, 22 de maio de 2011

Domingo à tarde

O Dr. Paulo Portas não quer ser o pau de cabeleira de um qualquer futuro governo. É uma pretensão legítima. Sabendo que está a um passo de uma votação histórica, dar passos atrás seria reconhecer uma derrota. A política tem destas coisas: o CDS/PP a driblar pelo centro e não pela raia que lhe seria natural.

Manhã de domingo

Estive a rever o debate. A questão de facto não é a de saber quem foi o vencedor ou o vencido. Ou se houve empate. Tornou-se nítido, nesta revisão, que o que importa é saber o que se quer: se a esquerda a enfrentar a crise, se a direita a servir-se da crise. Os votos o dirão.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Não são favas contadas

A associação desnaturada que levou às eleições não perspetivou o futuro, complicou o presente. À crise global dos dinheiros acrescentou-lhe a crise paroquial da política. Não clarificou, desatinou. Não estimulou, traiu. É essa responsabilidade que não pode deixar de pesar no voto de cada um.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A água do Público

No Público, na página 26, que é uma página que fica à esquerda, e no seu canto esquerdo, ao fundo, lá vinha a notícia:
“A quebra no consumo de bens duradouros no mercado europeu levou a venda de automóveis ligeiros a tombar 4,1 por cento entre os 27 da União Europeia (UE) no último mês, face ao mesmo período do ano passado. Mas não só: o aumento do desemprego e as dificuldades de acesso ao crédito também ajudaram à quebra nas vendas em Abril para pouco mais de um milhão de veículos. Só em 1995 o número de carros vendidos ficou abaixo deste patamar.”
Não valia a pena escondê-la assim tanto para que continuem a vender a ilusão de que a crise é apenas quase nossa.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Novas oportunidades

Há quem não as mereça.

Arquétipos

Não deixa de surpreender que sob uma retórica de esquerda se oculte um arquétipo de direita. É esse o registo da Dra. Maria José Morgado ao declarar que “a melhor prevenção da corrupção é a repressão”. Da corrupção? E dos crimes outros? Talvez fosse mais didático ter declarado, tout court, “a melhor prevenção criminal é a repressão”. Mas não seria a mesma coisa...

domingo, 15 de maio de 2011

O grau zero da política

O Dr. Eduardo Catroga cala-se e, em troca, será (seria) ministro.

sábado, 14 de maio de 2011

Os primórdios da derrota

Há um discurso que cansa e as sondagens dão disso prova. Quando se faz da política um ruído e da mentira uma alcavala, não se podem esperar grandes resultados. O que se devia julgar em sobriedade, perdeu-se em indignidade.

Mistério

O que aqui escrevi sob a epígrafe Uma justiça perigosa evaporou-se. Não por teimosia, mas apenas para fazer justiça à estória, renovo a ligação.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Pina, Manuel António

Garanto que não meti nenhuma cunha para que o poeta Manuel António Pina ganhasse o Prémio Camões 2011.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Sem causas

O Dr. Eduardo Catroga tornou irrelevante o discurso político. À falta de causas, enveredou pela ignomínia. Não é tribuno quem quer nem jardineiro quem não gosta de plantas.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Uma justiça outra

Não é possível governar a justiça contra os seus atores, mas não será melhor deixá-la governar-se pelos seus protagonistas. Os casos que arrepiam as consciências tornaram-se banalidades. Há uma fragilidade moral na justiça que lhe inviabiliza o futuro. Digo-o sem constrangimento, afirmo-o nos factos e não no direito. Em tempo de eleições, é manifesta a incapacidade política para que, com radicalidade, se afirme uma justiça outra.

Pau de cabeleira

Os tratos de polé que têm visado o CDS-PP não vão ficar por aqui.

domingo, 8 de maio de 2011

Aforismos

A Casa da Suplicação permite-nos conhecer, em versão aforística, o melhor da jurisprudência que o Supremo Tribunal de Justiça produz no âmbito penal. Não esperava, porém, encontrar um acórdão que possibilitasse o seu resumo em LXX aforismos. É um verdadeiro curso de direito (e processo) penal.

sábado, 7 de maio de 2011

A dimensão patriótica do discurso

É assim mesmo. Ou nós, ou eles. Parecendo uma determinação, apenas pretende esconder uma incomodidade. O xeque-mate ao eleitorado costuma ser uma estratégia fatal.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Escutas, por partes VII

O que aqui se descreve, não é apenas um problema do jornalismo ou de jornalistas. É uma questão da justiça que precisa de solução urgente.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A crise, a dos mensageiros

Não há ajudas externas para os mensageiros. A sua crise é a da credibilidade. Não noticiam, palpitam. Não comentam, desdenham. Erram na gramática e na deontologia. Ninguém os quer matar, são eles que se suicidam.

A grande vitória

O país recomenda-se. É essa a grande vitória de José Sócrates.

terça-feira, 3 de maio de 2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

domingo, 1 de maio de 2011

Paciência santa

Nem com uma santa paciência é possível aturar o comentarista professor, em versão compungida, a debitar palpites sobre a beatificação de João Paulo II.

Ignorância ou brincadeira

O Dr. Eduardo Catroga, ou não sabe para que servem os tribunais, ou quer brincar aos tribunais. Ignorância ou brincadeira, a verdade é que o discurso da credibilidade é cada vez mais o ruído da instabilidade.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

De beca e à bo(r)la

É natural que haja magistrados que gostem de jogar à bola: uns, no campo; outros, na secretaria. São exercícios de convívio social ou de actividade cívica. A lei não os proíbe nem seria razoável que os não permitisse. Foi oportuno e clarividente o esclarecimento que o Presidente da Associação Sindical dos Juizes Portugueses, um dia destes, prestou ao “Público”: «Estatutariamente, os juízes só estão proibidos de exercer cargos remunerados, mas não estão impedidos de exercer cargos nos órgãos jurisdicionais das federações desportivas.» Mas foi mais longe e mais pertinente: «Pelo contrário, a participação de magistrados nesses órgãos pode contribuir para credibilizar as suas decisões.»
A verdade desportiva é uma das que está nas preocupações da sociedade. Ainda que invocando-se razões diversas, a dita verdade tornou-se o motivo de discursos inflamados, de causas litigantes ou de imputações indecorosas. Uma verdade tão importante que o legislador, entidade que vela pelo nosso destino, decidiu dar a forma de crime à mentira desportiva.
Tudo estaria bem e seria pacífico se os jogos da bola não fossem também jogos de compras e vendas, de activos e passivos, de cheques e percentagens. Enfim, um negócio. Um imenso negócio sem rei nem roque e, dizem, com gritantes fugas ao fisco.
Os tais órgãos jurisdicionais da bola, quando decidem, decidem também, e não tão indirectamente como se poderia argumentar, sobre um negócio ou a possibilidade dele. Creio não ser necessário exemplificar. O que se questiona, neste panorama, é se a moral e a deontologia aconselham e avalizam as palavras atrás transcritas.
Mas escrito tudo isto, ainda não disse ao que venho. E ao que venho é à procura de um esclarecimento cabal por parte da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portuguesa de Futebol Profissional:
Quanto custam a estas duas instituições os seus órgãos jurisdicionais?
Quanto pagam aos seus membros pela participação em cada reunião?
E pelo alojamento?
E por cada quilómetro quando viajam em carro próprio?
E pelo almoço?
E pelo jantar?

É preciso pôr estes dados, e outros conexos, em cima da mesa. Para que a bola não fique no ar e a borla na suspeita.

In Os Cordoeiros, 29 de Abril de 2004. Recuperado pelo António Maria em Renascer!...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Eficácia, dignidade

Num país onde o segredo de justiça está ao preço da uva mijona e a ressonância ética da sua violação é inexistente, a utilização, na investigação criminal, dos meios mais invasivos da privacidade deverão merecer uma particular atenção. É aí que a responsabilidade dos magistrados do Ministério Público se torna mais óbvia já que lhes cabe a direção do inquérito. O equilíbrio entre a eficácia e a dignidade é um valor que não pode ser descurado.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Escutas, por partes VI

Noticiou-se que, em 2010, teriam sido iniciadas, diariamente, 27 interceções telefónicas, o que rondará, no fim do ano, 9855. Se admitirmos, em cálculo que não é ousado, que cada aparelho intercetado terá, durante o período da interceção, um número de interlocutores que não será inferior a 10, será óbvio concluir que, em 2010, pelo menos cerca de cem mil cidadãos viram a sua privacidade violentada e a sua voz gravada algures.