Ocorreu em 3 de setembro de 1841. O patíbulo foi erguido no Rossio,
largo da minha infância e adolescência. O supliciado, Jerónimo dos Santos
Brandão, tinha por alcunha o “Cospe-Fora”. Quem tenha lido Camilo não terá
dificuldade em compreender a história. Por causa de um testamento deu-se o
homicídio, assassinando-se um tio. A compor o drama, um miguelista teria
instigado o crime, já que a vítima, sendo um liberal, seria menos um. Os pormenores
podem ser lidos aqui, num artigo do grande aveirista
Eduardo Cerqueira.
Sábado, 18 de Maio de 2013
Sexta-feira, 17 de Maio de 2013
Cinco anos
Iniciei este blogue há cinco anos. Depois de mais de mil e quinhentos registos e de uma dúzia e meia de leitores persistentes, o que posso concluir é que as causas de ontem continuam a ser as razões de hoje. Escreviver (onde aprendi este verbo?) é apenas um exercício de liberdade que dá sentido ao dever de reserva que é ónus de um magistrado.
Leituras
Nesse ponto da discussão, o meritíssimo disse que já
agora talvez não fosse despropositado ele ouvir do ilustre colega a opinião que
os advogados têm dos juízes, de facto era uma coisa que lhe despertava uma
certa curiosidade. O advogado sorriu. É capaz de não ser bem uma opinião, para
ser antes uma constatação. Os juízes têm demonstrado que a opinião que têm dos
advogados em geral não é muito diferente da aqui manifestada pelo digno
procurador. Acontece apenas que o juiz desempenha no processo um papel
diferente, mas que muitas vezes não é senão o papel de um déspota, infelizmente
nem sempre iluminado, porque limita-se a decidir que deve ser assim ou assado
e, não poucas vezes, por incompetência ou simples desleixo, sem uma convincente
fundamentação que obrigue ao respeito do advogado, mesmo estando ele em
desacordo com a decisão. A maior parte dos advogados está de acordo em como os
juízes procedem diante dos seus escritos como os professores das escolas
primárias: Vamos ver onde este aluno está a falhar! Na maioria deformados pelo
papel de decisores, em regra recusam aceitar que, como todos os mortais, também
cometem erros, mutas vezes erros crassos e de palmatória, e isto revela-se mais
confrangedoramente na sustentação das sentenças ou despachos recorridos. E
depois vivem no constante medo atávico de se deixarem enganar pelos aldrabões
dos advogados. Não pretendo, evidentemente, dizer que o colega proceda deste
modo, o que estou a dizer é que a maior parte dos juízes que conheci e com quem
trabalhei age desta forma. O juiz sorria desta análise e acabou por dizer que
ela era tão apaixonada quanto a que o digno agente tinha acabado de fazer. Mas
disse que estava na hora de reiniciarem os trabalhos se queriam mesmo almoçar
descansados e chegar em casa ainda de dia.
(pags. 222/223)
Quinta-feira, 16 de Maio de 2013
Uma revolução em Aveiro
"Quando, a 16 de Maio de 1828, se sentiram os primeiros sintomas de
absolutismo no governo de D. Miguel, estalou uma revolução em Aveiro, que,
agora de desastre em desastre, logo de triunfo em triunfo, e, no intervalo,
pisando um calvário de aflições, tragédia, horror e lances de epopeia, acabou
por implantar, com a Convenção de Évora-Monte, o liberalismo em Portugal e por
um século."
Da conferência de Jaime Cortesão, que pode ser lida aqui.
Júlio Calisto, Álvaro Neves, Mário Sacramento, João Sarabando, Jaime Cortesão, Costa e Melo, Manuel Figueiredo, Armando Castela, João Morais Sarmento, Manuel das Neves e Joaquim José de Santana
Júlio Calisto, Álvaro Neves, Mário Sacramento, João Sarabando, Jaime Cortesão, Costa e Melo, Manuel Figueiredo, Armando Castela, João Morais Sarmento, Manuel das Neves e Joaquim José de Santana
Domingo, 12 de Maio de 2013
As escutas de Aveiro
Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, em
entrevista ao Expresso de ontem, volta a afirmar a irrelevância criminal das
escutas telefónicas respeitantes a José Sócrates, o que o levou a determinar a
sua destruição. Que quase quatro anos depois Noronha do Nascimento venha dizer
que ainda não sabe se a sua ordem foi cumprida, é que não pode deixar de
preocupar. O que teria sido óbvio, face à decisão do presidente do Supremo, é
que quem tivesse a guarda das respetivas gravações procedesse à sua destruição,
lavrasse um auto desse ato e o remetesse, ou cópia dele, à entidade que
proferiu a decisão, o que, com certeza, não aconteceu. Um Estado de Direito não
pode consentir a dúvida de Noronha do Nascimento.
Quinta-feira, 9 de Maio de 2013
Todos iguais, mas tão diferentes
Assim como quem não quer a coisa, vozes no passado tão assertivas
começam a sustentar que os políticos
são todos iguais. Trata-se de mais uma estratégia na desvalorização da
democracia. O que importa dizer é que as políticas
não são todas iguais. E que as opções que fazemos devem ter sempre a ver com
elas, as políticas, e não com a magia dos políticos.
Domingo, 5 de Maio de 2013
O medo
Num tempo propício à cobardia intelectual, não se podem ignorar as
palavras avisadas dos que nos alertam para a ditadura do medo. Há uns dias, a
propósito do 25 de abril, D. Manuel Martins, bispo emérito de Setúbal, alertou para a“ditadura do medo” que os portugueses estão a sofrer. Hoje, no Público, frei Bento Domingues, retoma o tema,
concluindo que Isto não é uma fatalidade.
É assim, porque nós consentimos. De facto, até com o medo das eleições nos
acenam.
Vigiados
Leio no DN que cerca de 107 mil alunos vão prestar provas do 4º ano “vigiados”
por 10 mil professores. Para a segurança ser ainda maior, as “forças policiais”
irão transportar os enunciados para as escolas. É assim que se educam crianças de 9 ou 10 anos para a
maturidade cívica e para a responsabilidade social? Ou é assim que se treinam para a desconfiança e para o
medo?
Sábado, 27 de Abril de 2013
Prevenir e reabilitar
Com Obama, a prevenção e a reabilitação ganham terreno à repressão no combate à droga. O documento de orientação estratégica agora publicado é também um estímulo para aqueles que, em Portugal, vêm defendendo essa política.
Sexta-feira, 26 de Abril de 2013
Intenção geral do Papa Francisco
No mês de maio, a intenção geral do Papa Francisco será para os agentes da justiça: Para que aqueles que administram a justiça atuem sempre com integridade e reta consciência.
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