terça-feira, 16 de abril de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
A gestão do medo
Depois da censura e do exame prévio, conquistou-se uma liberdade de opinião que parecia definitiva. Afinal, parece desenhar-se um aviso prévio cada vez menos subtil.
Leituras
A manutenção das funções simbólicas é, em primeiro lugar, um dever dos tribunais e, especialmente, dos magistrados.
Contudo, nos países em que as magistraturas se organizaram em carreira profissional e adoptaram o modelo napoleónico de hierarquia administrativa ou funcional, os magistrados foram rapidamente centrifugados para as regras do funcionalismo público. Passaram a reproduzir os seus jogos reivindicativos, a adoptar os seus esquemas sindicais e a entrar em idênticas lutas pela visibilidade e pelo reconhecimento.
Esta "democratização" da soberania não beneficiou a função simbólica dos tribunais, qualquer que seja a validade das razões invocadas. Pelo contrário, actuou como instrumento de trivialização e determinou o risco de osmose entre discurso jurídico, sindical e político. Tornou-se fácil, para pessoas visadas em processos, defenderem-se com pretextos de motivações políticas, lutas corporativas ou feiras de vaidades. (pag. 301)
domingo, 14 de abril de 2013
Notícia a meio
Pelo Diário de Notícias ficou a saber-se que a Unidade de Informação
Financeira, em 2012, “congelou” ou “suspendeu” 80 milhões de euros suspeitos de
serem objeto de operações de branqueamento. O “congelar” ou “suspender” é um
procedimento preventivo e que, como tal, implica um procedimento judicial posterior.
Para a notícia ser didaticamente esclarecedora, seria importante saber que
quantias “congeladas” ou “suspensas” foram judicialmente declaradas perdidas
para o Estado no mesmo período. Ou, então, que quantias vieram, também
judicialmente, a ser “descongeladas”.
sábado, 13 de abril de 2013
Guiné-Bissau
Há muitos anos que a comunidade internacional sabe que o narcotráfico
tomou conta da Guiné-Bissau. No Público
de ontem, foi publicada uma excelente reportagem sobre duas mulheres que
empenharam todas as suas forças contra aquele flagelo: Carmelita Pires, que foi
ministra da Justiça, e Lucinda Barbosa, que foi diretora da Polícia Judiciária.
Tive a oportunidade de ter falado algumas vezes com a Dra. Lucinda Barbosa e de
ter promovido uma sua ida a Bruxelas para, num âmbito de uma reunião de
polícias europeias, expor os dramas do combate ao narcotráfico na Guiné-Bissau
e das suas manifestas insuficiências. Portugal poderia ter feito mais e melhor,
tanto no auxílio material como na motivação internacional. Talvez houvesse quem
pensasse que eram questões alheias, esquecendo que não há fronteiras para o
narcotráfico nem para o seu combate.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
A custódia da prova
Se é verdade que a utilização do ADN como meio de prova permitiu à investigação criminal um salto qualitativo, não é menos verdade que a sua fácil manipulação não pode ser descartada. Por isso, a custódia deste meio de prova tornou-se particularmente relevante. Desde a recolha, à guarda e à análise, os procedimentos deveriam estar legalmente fixados, implicando a sua violação a respetiva nulidade.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Direito à tristeza
Entra-se no ritual da tragédia quando o direito à indignação começa a ser substituído pelo direito à tristeza.
80 anos depois
Em 1931, nove jovens negros foram injustamente condenados. Mais de 80 anos depois, é-lhes reconhecida a inocência.
Los Angeles Times
Los Angeles Times
Leituras
Nas democracias ocidentais, a divisão dos poderes é considerada como um princípio fundamental, mas não é concretizada rigorosamente de acordo com o seu modelo de tipo ideal. Em geral, só é estritamente observada a independência dos juízes face a intromissões do executivo. (pag. 416)
segunda-feira, 8 de abril de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Credibilidade democrática
A decisão do Tribunal Constitucional anda, literalmente, nas bocas do mundo. Creio ser bom para a democracia e para o país. A credibilidade democrática é também um elemento que reforça a capacidade negocial. Mesmo com os credores.
Leituras
Felizmente que vivemos num sistema democrático que se realiza e vive,
mais do que com a deposição do voto, com o livre debate de ideias. As nossas
ideias merecem ser partilhadas do mesmo modo que devemos ouvir as dos outros. Comunicação
e discussão no seio da sociedade civil, dos temas menos pacíficos, são mesmo as
vias disponíveis para se lograr alguma plataforma de consenso sobre valores
éticos. E naquilo que estiver para além de um consenso generalizado, a única
via aceitável de legitimação de uma intervenção estatal será a do escrutínio
democrático. (pag. 395)
segunda-feira, 1 de abril de 2013
domingo, 31 de março de 2013
Uma maternidade outra
Una madre española de dos gemelos nacidos, en 2009, en Los Angeles (EE.UU), por "gestación de sustitución", o madre de alquiler,
ha conseguido que el Registro Civil inscriba a los pequeños como hijos
suyos, lo que ocurre por primera vez. Para ello ha tenido que aportar la
resolución de un juzgado de primera instancia homologando la sentencia
del Tribunal Superior de Justicia de California, Condado de San Diego,
por la que se validaba la filiación. C.F.F. acudió al tribunal
estadounidense para que se la declarara madre de un niño y la niña que
habían nacido por el procedimiento que en dicho país se denomina embarazo por encargo de terceros.
EL PAÍS
EL PAÍS
sexta-feira, 29 de março de 2013
Incontornável
As palavras são de modas também. Houve tempos em que incontornáveis
éramos todos ou quase. Não sei por que decreto, talvez provavelmente magia, deixámos
de o ser. Recuperar a história ao tempo é, pelo menos, incontornável.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Erro judiciário 9
Já aqui deixei diversos apontamentos sobre o erro judiciário. ProPublica referencia as melhores reportagens publicadas nos EUA sobre o mesmo tema, permitindo-nos uma aproximação à injustiça criminal. Para ler e arquivar.
In memoriam
O Luís de Miranda Rocha foi um operário da poesia. Procurou nela a vertigem que lhe desse sentido a uma inquietação sem nome. Nas noites que pensávamos eternas, aprendi com ele que escrever é andar na berma da vida. Muitas vezes, sobreviver é não escrever.
quarta-feira, 27 de março de 2013
A justiça negociada
Juan-Luis Gómez-Colomer LA CONFORMIDAD,
INSTITUCIÓN CLAVE Y TRADICIONAL DE LA JUSTICIA NEGOCIADA EN ESPAÑA
Ann Jacobs LE DROIT BELGE DANS LE
CONCERT EUROPÉEN DE LA JUSTICE NÉGOCIÉE
Akila Taleb LES PROCÉDURES DE GUILTY PLEA : PLAIDOYER POUR LE DÉVELOPPEMENT DES FORMES DE JUSTICE ‘NÉGOCIÉE' AU SEIN DES PROCÉDURES PÉNALES MODERNES Étude de droit comparé des systèmes pénaux français et anglais
Emilio C. Viano PLEA
BARGAINING IN THE UNITED STATES: A PERVERSION OF JUSTICE
*Os artigos podem ser adquridos aqui.
*Os artigos podem ser adquridos aqui.
Mário Sacramento
Morreu em 27 de março de 1969. Tê-lo conhecido é uma memória grata que não saberei esquecer. Do seu Diário, que continuo a reler, registo da entrada respeitante a 22 de agosto de 1967:
Ao darmos a identificação na Secretaria do Aljube, o ofídio que a dirigia perguntava sempre - pois havia uma alínea na ficha para isso:
- Por que motivo foi preso?
Respondi, de todas as vezes:
- Isso gostava eu de saber!
Logo me aplicavam um pequeno castigo: suspensão de artigos de toilette, por exemplo. A higiene continua a ser um supérfluo entre nós, uma sobremesa de que se priva o menino malcriado! Era norma, então, lutar-se constantemente contra todos os atropelos da lei: se esta era fascista, que os fascistas a respeitassem. Em conformidade, dirigi, de todas as vezes, protestos escritos às várias entidades - director da polícia, ministros, Ordem dos Médicos, etc. Quando o despacho era da polícia (que dos outros nunca tive notícia), em regra rezava assim: «Estando provado que o detido está ao serviço do imperialismo e do militarismo soviético, etc., etc.» De uma das vezes, deu-me para reclamar por ter sido preso sem mandado de captura. Pois como resposta, levaram-me à cela o documento em falta, devidamente legalizado! E não quer o João Medina que a ironia possa ser reaccionária...
terça-feira, 26 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Leituras
Desde criança, sempre que perguntado sobre o que quereria ser quando
fosse grande, nunca Bruno se enganou: ele queria é ser ladrão, um gatuno a
sério, temido quadrilheiro. Tanta convicção deixava os pais de Bruno
infelicíssimos. Pobres senhores. Tiveram que o tirar do jardim-infantil, dar
explicações coxas a professores e pais de colegas. Um calvário. Que se
prolongou pela escola primária, colégios internos e colónias balneares. A
vocação de Bruno para o gamanço, mesmo se diferida, não era melhor compreendida
pelos seus e acarretou-lhe sovas das antigas e dissabores continuados. Tinha o
miúdo catorze anos quando julgou chegado o momento de dar o golpe da sua vida e
esvaziar à noitinha a mercearia do bairro. Em má hora o tentou, pois deu de
caras com a mãe sendo seduzida pelo dono da loja atrás do balcão. O mundo
ganhou mais um cidadão honesto, honesto e triste como os outros. (pags. 69/70)
domingo, 24 de março de 2013
Pulsão censória
A pulsão censória grupal é mais um dos sinais expressivos da crise. Validando a vingança ideológica e o discurso único, abrem a porta ao desígnio totalitário. A democracia é dramaticamente frágil nestes momentos.
sábado, 23 de março de 2013
Divina Comédia
Tenho encontrado nesta Comédia das reflexões mais estimulantes em tempos de satânicas mediocridades. Espero que seja apenas uma suspensão provisória do processo.
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