sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Da manif e das suas imagens



A PSP foi à RTP recolher imagens de uma manifestação. Foi-o no âmbito de um inquérito? Foi-o judicialmente mandatada? São as respostas a estas perguntas que importam. É o Ministério Público que lhes deve responder. Do sim ou do não resultará a conformidade legal da atuação da PSP e da RTP.

Antes a Maya


Há uns anos, integrei diversos júris de avaliação para entrada no Centro de Estudos Judiciários. Candidatos que ultrapassassem a prova escrita tinham de realizar uma prova oral e submeter-se a um exame psicológico de aptidão. Este exame não tinha carácter vinculativo, mas nem por isso deixava se ser insólito. Uma vez, um jovem examinando, que tinha tido prestações muito positivas nas provas escrita e oral, foi julgado, pelo psicólogo, incapaz por não ter perfil. Os membros do júri, que o tinham interrogado em dois dias sucessivos, foram unânimes no bom senso e em não levar a sério a apreciação psicológica. O examinando de então é hoje um experiente e dedicado juiz.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O fantasma do BPN


Quase sempre não concordo com o tom do Professor Paulo Morais, ainda que, por vezes, concorde com algumas das suas intuições. O BPN foi um banco político, criado por políticos e que satisfez uma clientela politicamente qualificada. A venda do seu fantasma, por 40 milhões, foi um excelente negócio político.

domingo, 18 de novembro de 2012

Manifestação e castigo


Vista pela televisão e com o que hoje se conhece, a intervenção policial ocorrida no passado dia 14, em frente da Assembleia da República, foi, tecnicamente, um insucesso. Tardia, desarticulada e desinformada, parece ter sido uma surpresa para os serviços de segurança. Não se determinaram os responsáveis, puniu-se uma multidão. Quando as manifestações, por idênticos motivos, se repetem, cresce, naturalmente, o risco da violência. Nestas circunstâncias, uma estrutura de intervenção, só por si, não é suficiente.

sábado, 17 de novembro de 2012

A rua


Tornou-se o palco de uma forma comum de expressão política e cultural: a manifestação. O crescimento desta forma de expressão está ligado ao crescimento da sociedade urbana. A concentração citadina, a explosão operária e o desconforto intelectual foram permitindo que a voz anónima de cada um ganhasse sentido na voz anónima de todos. O direito à manifestação, ou talvez melhor, o direito à rua, nunca deixou de estar associado a uma ideia de desordem e de desconformidade legal. É, por isso, que não há manifestação sem polícia, fosse em tempo de ditadura, seja em tempo de democracia.