sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Buscas, notícias, impunidade


Já não há apenas uma busca por dia para se fazer uma manchete jornalística. Já se conseguem buscas diferenciadas para cada um dos jornais particularmente colocados no acesso às fontes das buscas ou das escutas. Um conhecido comentador televisivo e um não menos conhecido, pelo menos para seis milhões de portugueses, dirigente desportivo tornaram-se alvos de primeiras páginas por causa de buscas. A investigação criminal continua a sustentar a intriga mediática e a destruir reputações. Há algum tempo, a Ministra da Justiça anunciou o fim da impunidade. Com esta, pelo menos, ainda não acabou.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Lentidão e justiça

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem tem condenado o Estado Português, com uma frequência preocupante mas não surpreendente, por atrasos na administração da justiça. Muitos mais atrasos há que poderiam ser levados àquele Tribunal, incluindo atrasos em que é o próprio Estado o interessado processual com razões de queixa. Uma justiça socialmente oportuna exige uma responsabilidade funcional que deveria ser uma razão primeira na formação de juízes e procuradores. O Centro de Estudos Judiciários tem preferido a retórica, o delírio verbal e o primórdio da citação.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Joaquim Benite

Convivi com o Joaquim Benite nos últimos anos de 60. Devo-lhe muitas das peças que vi então, sem esquecer essa impressionante Louca de Chaillot, interpretada por Helena Félix. O Benite fazia crítica de teatro no Diário de Lisboa, e sempre lhe sobrava alguma entrada para os amigos. Conheci-o, em noite incerta, no Monte Carlo, por intermédio do Luís de Miranda Rocha. Sinto que já são muitos os mortos que caminham ao meu lado.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Demissões


O atual contexto político é único depois do 25 de abril. Há uma interdependência presidente/governo gerada no contributo determinante daquele no aparecimento deste. Desenha-se, assim, um novo fator que fez desaparecer o equilíbrio dos poderes, a sua tensão constitucional, tornando-os coautores de uma aritmética em que o país parece não se rever. As vozes que surgem pedindo a demissão do governo não têm tido em conta tal invariável. Afinal, o que questiono é se uma demissão não acarretaria uma outra.

sábado, 1 de dezembro de 2012

1 de dezembro

Nos uns de dezembro de 1960 e 1961, marchei com a farda da Mocidade Portuguesa, em frente do Liceu Nacional de Aveiro, como era oficial então. Tenho presente a chuva de um desses dias e o frio que se pretendia heróico. A independência é um valor da História que não se pode negar. Tão perene como a língua, constitui um fator determinante de identidade territorial, social e política, qualquer que seja a Europa que se venha a construir.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Os dias do fim

A trombeta dos tempos que correm ecoou na entrevista de ontem. Escatologicamente cega, parece ter procurado um abismo sem retorno. Dei-me conta disso ao ouvir, hoje, o Bispo D. Manuel Martins falar de uma crise sem esperança. A política, por mais severa que seja, não pode fechar todas as janelas da vida. Só falta que nos digam que não podemos sonhar acima das nossas possibilidades.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Pedido redundante

O Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República, em 22 de fevereiro de 1996, deu parecer, relatado pelo Dr. Lourenço Martins, sobre o acesso da Polícia Judiciária a gravações em poder dos jornalistas e das respetivas empresas de comunicação social. As conclusões de então aplicam-se, mutatis mutandis, à atuação recente da PSP. O parecer agora pedido pelo Ministro da Administração Interna à Procuradoria-Geral da República é, por isso, uma redundância: uma redundância que poderá resultar da ignorância ou de uma estratégia para adiar a análise do problema.

domingo, 25 de novembro de 2012

À espera de Godot


O Professor Lebre de Freitas pôs a nu o novo Código do Processo Civil, as populações revoltaram-se contra um aberrante mapa judiciário, os inspetores da Polícia Judiciária manifestaram-se em frente da Assembleia da República, o enriquecimento ilícito foi, juridicamente, de uma pobreza franciscana, as declarações sobre a atuação do Tribunal Constitucional foram, estilisticamente, patéticas, as guerrilhas com o Bastonário da Ordem dos Advogados e com o anterior Procurador-Geral da República não dignificaram a função, os funcionários judiciais continuarão a falar para quem não os ouve. As reformas, essas, podem continuar a esperar.

sábado, 24 de novembro de 2012

O desassossegado


Marcelo, o eterno candidato, tem uma biografia. Era habitual ter-se uma biografia depois de ser-se um destino. A novidade desta é inscrever-se no domínio delirante do querer ser-se.