quinta-feira, 9 de junho de 2011

A insolência

"É mais necessário extinguir a insolência do que um incêndio."

Heraclito de Éfeso, filósofo pré-socrático

Tempos outros

Enquanto houver mulheres que não queiram os pais, haverá filhos sem eles. Por mais ADNs ou por mais persistentes que sejam os magistrados. Creio que esta é a grande liberdade das mulheres. A grande vingança.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A arte de representar

As audiências de julgamento são cada vez mais um espetáculo deprimente. A encenação, que seria de presumir convincente, tornou-se numa farsa de bairro. As boas maneiras, a serenidade, a voz audível e o cumprimento dos horários seriam um bom contributo para a credibilização da justiça.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Quer queiram, quer não

A orfandade

Os debates políticos televisivos, ontem, foram tristes. Havia no ar um sentimento difuso de orfandade.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O branqueamento dos discursos

Tão impune como o branqueamento de capitais.

Opinião e saber

“Sócrates – Então, quando os juízes foram justamente persuadidos acerca de assuntos dos quais apenas pode saber aquele que viu e não outro, nesse momento, ao decidir sobre esses assuntos por ouvir dizer e ao adquirir uma opinião verdadeira, ainda que tenham sido corretamente persuadidos, tomaram a sua decisão, sem saber se na realidade julgaram bem, não?
Teeteto – Certamente.
Sócrates – Amigo, se a opinião verdadeira e o saber fossem o mesmo, nem sequer o juiz mais competente poderia emitir uma opinião correta sem saber. E, contudo, neste momento cada uma delas parece ser diferente.”

Platão, Teeteto

The day after

Gostaria de ter escrito aquele discurso de despedida.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A chancela


Este romance de Sá Coimbra está há muito esgotado. O António Maria vai reproduzi-lo, nos próximos sábados, no Renascer!...

Prisões

O Supremo Tribunal americano determinou, ainda que não por unanimidade, que a Califórnia tornasse as suas prisões mais humanas. O motor dessa decisão foi o juiz Anthony Kennedy, juiz designado por Ronald Reagan.
No Kentucky, republicanos lideram alterações legislativas que se traduzirão numa diminuição das decisões em que a pena de prisão será aplicada.
Não deixa de ser curiosa a conclusão do The Economist no artigo respeitante à política criminal no Kentucky: "Just as Richard Nixon could open relations with China without being thought soft on communism, so conservatives can push for sentencing reform without being considered soft on crime."

Um voto apenas

À esquerda, há apenas um voto; não um voto por ser útil ou necessário, ainda que também, mas por ser civilizacional.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Identificação biométrica


Num tempo em que tanto se fala fala sobre o ADN, o estudo destas matérias torna-se relevante também para juristas.
Edição da Maison des sciences de l`homme

Ernestina


Ernestina, de José Rentes de Carvalho, é um dos romances que melhor retrata a portugalidade cinzenta de meados do Século XX. Lembro-o por ser também um romance sobre a infância.

terça-feira, 31 de maio de 2011

A campanha

Esta tem sido uma das campanhas mais esclarecedoras dos últimos 20 anos, talvez por navegarmos numa crise global de que não há memória vivida. A clarificação está feita, mesmo que uns tantos comentaristas vociferem que não.
Sabemos quem quer pôr mais crise em cima da crise, sabemos quem quer fazer da crise um pretexto para praticar novas velhas engenharias sociais, sabemos quem quer ultrapassar a crise sem abdicar de princípios constitucionais em que a solidariedade social se revê.
O facto dos media, nomeadamente as televisões, privilegiarem a anedota, ou distorcerem a opinião, ou cultivarem a ignorância, criam, sem dúvida, uma teia de dificuldades ao esclarecimento. O que se espera, no entanto, é que a perceção da realidade seja superior à verdade da mentira.

Uma justiça de bom senso

Durante anos, muitos, discutiu-se sobre a legitimidade para o exercício do direito de queixa no crime de dano. Para uns, que se foram afirmando como maioria, os proprietários; para outros, também aqueles que tinham o uso do bem, ainda que não proprietários. O acórdão para fixação de jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça, de 21 de Abril, e hoje publicado no Diário da República, reconduz o direito à realidade. Relatado pelo Conselheiro Henriques Gaspar, transcreve-se a conclusão:
«No crime de dano, previsto e punido no artigo 212.º, n.º 1, do Código Penal, é ofendido, tendo legitimidade para apresentar queixa, nos termos do artigo 113.º, n.º 1, do mesmo diploma, o proprietário da coisa ‘destruída no todo ou em parte, danificada, desfigurada ou inutilizada’, e quem, estando por título legítimo no gozo da coisa, for afectado no seu direito de uso e fruição.»

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Uma excelente notícia, com certeza

A propósito da inexistência de medidas relativas à corrupção no protocolo assinado com a troika, escreve o Embaixador Seixas da Costa:
“Com isto, não estou a afirmar que a corrupção não exista, em Portugal, e que não seja importante encontrar fórmulas mais eficazes para lhe fazer frente, nomeadamente no campo da aplicação da justiça. Estou apenas a dizer que, por via indireta, a comunidade internacional atesta que o nosso país dispõe já do arsenal legislativo adequado para a combater. E isto é uma excelente notícia.”

Representação e ideologia

A deterioração deontológica dos media na representação do crime não é ideologicamente neutra. Cauciona políticas repressivas e estigmatizantes. Que a justiça, ela própria, vá ao encontro dessa representação, é que não pode deixar de ser preocupante.

sábado, 28 de maio de 2011

Política outra

Anexim 2

Calar para sobreviver, nunca. Nem ontem, nem hoje.

Subscrevo

"Enquanto o poder judicial continuar a “pingar” suspeitos para os jornais e para as televisões, cuja culpabilidade em grande número de casos não é depois capaz de provar, continuaremos a surgir nos rankings internacionais sobre corrupção - baseados nas percepções dos portugueses formadas a partir das notícias publicadas nos meios de comunicação social – como pertencendo ao grupo dos países mais corruptos.
A política e o futebol são em Portugal os maiores fornecedores dessas estatísticas. Ao menos, a alimentar jornais a nossa justiça não é lenta."

Estrela Serrano

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Outros saberes

Ontem, o Simas Santos e eu estivemos a divagar sobre a justiça, maleitas e perspetivas, com alunos de mestrado em Sociologia da Universidade do Minho. O interesse foi manifesto e seria bom que alguns viessem a encontrar na justiça um campo de trabalho.
Vale a pena repeti-lo: a realidade judiciária é demasiado expressiva para poder ser contida no discurso redundante de juízes e procuradores. A abertura da justiça a outros saberes tem tido a sua retórica, falta-lhe ainda a sua história.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Uma leitura necessária


Não é possível compreender a justiça de hoje sem conhecer a de ontem.