Contra as perspetivas dos discursos mais conservadores, o crime violento está em queda nas sociedades mais desenvolvidas. Como se escreve no The Economist, para manter essa tendência, os governos devem apostar na prevenção e não na punição.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Leituras
Qualquer política económica tem, implícita ou explicitamente, um objetivo social, participa num projeto de sociedade, e não pode ser avaliada fora deste contexto como se não fosse mais que a aplicação de um princípio de gestão. Os seus objetivos são, com frequência, postos de uma maneira abstrata que lhes confere um ar de submissão ao inevitável (moeda forte, construção europeia, competitividade, adaptação à economia mundial). A gestão «técnica» da economia, seja qual for a realidade das limitações sobre as quais atua, constitui, de facto, um projeto de sociedade.
(pags.48/49)
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Os números na narrativa
No domingo passado, José Sócrates trouxe o argumento dos números; pelo menos até agora, ninguém os desdisse. A assertividade de Sócrates, num país em que o comentário político se tornou numa intriga de vão de escada, poderá parecer jogar contra ele. A seu favor terá o tempo, o grande aliado do futuro.
terça-feira, 16 de julho de 2013
Cultura do segredo
Sobre o novo sistema de acesso à informação, no Brasil, e a influência do paradigma do Estado Democrático de Direito na superação da cultura do segredo, escreve Rodrigo Montenegro de Oliveira no jusnavigandi.
A verdade da história
Há uns dias, Teixeira dos Santos fez declarações relevantes que ajudam a reconstruir a verdade sobre o passado político recente. Hoje, no DN, Manuel Pinho dá também o seu contributo. Ambos foram ministros com José Sócrates e os seus testemunhos são importantes para a narrativa da história.
sábado, 13 de julho de 2013
Leituras
Os favoritos são tanto mais perigosos quanto aqueles que são elevados pela fortuna raramente se servem da razão; e como não é favorável aos seus desígnios, ela é de ordinário impotente para deter o curso dos que eles acalentam em prejuízo do Estado. Para dizer a verdade, não vejo nada que seja tão capaz de arruinar o reino mais florescente do mundo que o apetite de tais pessoas ou o desregramento de uma mulher, quando um príncipe está possuído por ela. E declaro com tanto menos hesitação esta asserção, quanto para este género de males não há nenhum remédio senão os que dependem do acaso e do tempo, que devem ser considerados, na medida em que fazem muitas vezes perecer os doentes sem lhes prestar nenhum socorro, os piores médicos do mundo.
(pag. 293)
sexta-feira, 12 de julho de 2013
A crise contínua
Hoje, na Assembleia da República, não vi atos de contrição. Pelo contrário, ouvi as mesmas redundâncias que, há dois anos a esta parte, alimentam a crise.
Desculpe, Presidente Evo
"Esperei uma semana que o Governo do meu país lhe pedisse formalmente desculpas pelo ato de pirataria aérea e de terrorismo de Estado que cometeu, juntamente com a Espanha, a França e a Itália, ao não autorizar a escala técnica do seu avião no regresso à Bolívia depois de uma reunião em Moscou, ofendendo a dignidade e a soberania do seu país e pondo em risco a sua própria vida. Não esperava que o fizesse, pois conheço e sofro o colapso diário da legalidade nacional e internacional em curso no meu país e nos países vizinhos, a mediocridade moral e política das elites que nos governam, e o refúgio precário da dignidade e da esperança nas consciências, nas ruas e nas praças, depois de há muito terem sido expulsas das instituições. Não pediu desculpa. Peço eu, cidadão comum, envergonhado por pertencer a um país e a um continente que são capazes de cometer esta afronta e de o fazer de modo impune, já que nenhuma instância internacional se atreve a enfrentar os autores e os mandantes deste crime internacional."
terça-feira, 9 de julho de 2013
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Henriques Gaspar
A história tem destas ironias: tendo sido preterida a sua designação, há uns anos, para procurador-geral da República, é agora eleito presidente do Supremo Tribunal de Justiça. O testemunho que posso dar de Henriques Gaspar é o da sua competência profissional. O contributo para uma justiça mais sóbria e mais convincente é o que o país poderá esperar do seu desempenho.
Íntima e obscura
O artigo de Francisco Proença de Carvalho, publicado no ADVOCATUS, é uma
denúncia esclarecida sobre uma justiça que se deixou arrebatar pelas
condenações sumárias em julgamentos mediáticos. Creio que esta é uma questão central
na dignificação ética da investigação criminal: não se trata da violação do
segredo de justiça, mas de uma justiça que se faz em segredo.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Mediação penal
No CITOTE, Jornal do Sindicato dos Funcionários Judiciais, Alexandre Silva escreve um texto muito interessante sobre mediação penal. O Regime de Mediação Penal surge com a Lei nº 21/2007, de 12 de junho, dando assim guarida nacional à Decisão-Quadro nº 2001/220/JAI, de 15 de março. do Conselho da União Europeia. O número de processos instaurados para esse efeito, de 2008 a 2012, foi insignificante face ao número de inquéritos que, anualmente, dão entrada nos serviços do Ministério Público. Em 2008. foram instaurados, para mediação penal, 95 processos, em 2009, 224, em 2010, 261, em 2011, 90, e, em 2012, 14. Mais do que uma miragem, a mediação penal está a transformar-se numa aparência, ainda que legal.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Não há coincidências
Vivemos tempos em que desacreditar a democracia e atacar a liberdade de pensar e de dizer parecem ser um propósito. Talvez por isso, ou por um outro motivo oculto, há quem não goste daquilo que aqui se escreve. O que não compreendo é que a razão dos argumentos se torne na cobardia do spam.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Parâmetros quantitativos
A fixação, pela hierarquia, de alguns parâmetros
quantitativos na atividade do Ministério Público, nomeadamente na gestão dos
inquéritos, dinamiza os procedimentos e aproxima os cidadãos. Ao longo dos
anos, o Ministério Público têm tido uma incoerência quantitativa que, além de
não estar de acordo com a lei, é fator de dissonâncias e desigualdades. Não se trata
de autonomia(s) mas de justiça(s).
domingo, 30 de junho de 2013
Dos recursos penais*
Uma reforma faz-se em nome de propósitos. Ou deveria
fazer-se.
Uma reforma na área dos recursos penais poderá justificar-se
em nome dos interesses dos potestativos recorrentes ou para satisfação daqueles
que os decidem.
Uma reforma que tenha uma vocação estatística assume um
desígnio doméstico que não se coaduna com o exercício das liberdades.
O que se pretende com esta reforma, aqui e agora, num
momento de crise identitária da justiça?
Duvido que uma reforma dos recursos na área penal seja uma
necessidade desnecessária. Ou por outras palavras: que seja desnecessariamente
urgente.
Eu sei que os recursos são incomodidades.
Eu sei que muitas reflexões em volta dos recursos poderiam
acabar nesta interrogação: e não se pode exterminá-los?
A exterminação dos recursos, traduzido no indelével
silenciamento dos recorrentes, é uma tentação antiga, sempre debaixo de uma
alegada eficácia de moralidade duvidosa.
Há quem não acredite nos recursos e há quem veja neles uma
tábua de salvação.
Parece-me óbvio que uma reforma dos recursos deverá aumentar
a sua credibilidade, reforçando a tábua e aumentando a expectativa de salvação.
O economicismo que
está subjacente a um certo discurso oficioso, e onde convergem os interesses
das corporações, é um retrocesso judiciário.
Sustenta-se que há recursos a mais. Que se recorre por tudo
e por nada. Que a banalização dos recursos não é suportável pelo sistema.
Não acredito numa reforma que tenha por fim a redução do
número de recursos estrangulando o seu âmbito: limitando a liberdade de
recorrer.
Trazendo a história a estes passos, anoto que António Manuel
Hespanha (As vésperas de Leviathan), para meados do Século XVII, sustenta que
um terço (1/3) do movimento dos tribunais de primeira instância atingia os
tribunais superiores.
Afinal, talvez a banalização não seja assim tão recente.
*De uma espécie de conferência dita em 2005, parte I.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Da política
Alfredo José de Sousa, atual provedor de Justiça, e um dos excelentes juízes com quem tive a felicidade de trabalhar, teve a coragem de dizer o que deveria ser linear: o provedor pode ter posições políticas, mas não partidárias.
Será de trazer à colação o que um outro magistrado, referência maior da magistratura portuguesa, refletiu sobre idêntica matéria e que aqui assinalei.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
5 a 4
Por 5 a 4, o Supremo Tribunal dos EUA considerou inconstitucional uma lei de 1996 que negava benefícios federais a casais do mesmo sexo legalmente casados.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Antes tarde do que nunca
Com um atraso de anos, foi publicada a lei de organização e funcionamento do conselho de fiscalização da base de dados de perfis de ADN. No artigo 17º, promete-se a transparência. No artigo 26º, ficciona-se mais um crime.
domingo, 23 de junho de 2013
Legal Equality
Some justices are committed to formal equality. Others say the Constitution requires a more dynamic kind of equality, one that takes account of the weight of history and of modern disparities.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
O melhor roteiro para passear no Porto
Nota: O prefácio é de Manuel António Pina. Já que estamos num blogue sobre direitos e outras aparências, sempre se dirá que no Jardim da Cordoaria, paredes meias com o Palácio da Justiça, qualquer jurista não perderá o seu tempo a apreciar uma Araucaria bidwillii ou uma Sequoiadendron giganteum.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
O excesso de ADN no Reino Unido
Perante o aumento desmesurado e injustificado da base de dados de ADN no Reino Unido (Inglaterra e País de Gales), o Parlamento, em 1 de maio de 2012, aprovou a Lei de Proteção das Liberdades, determinando que os perfis de ADN respeitantes a inocentes fossem removidos e todas as amostras de ADN destruídas.
Em maio de 2013, o Governo anunciou que tinham sido apagados 1,136,000 perfis e destruídas 6,341,000 amostras.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Dever de lealdade
Há ainda quem continue a associar dever de lealdade e conivência. Não se deve lealdade à incompetência ou à mentira. A lealdade, em democracia, é devida à liberdade, à transparência dos procedimentos.
Agustina, por 4,90 €
Nota: Tem a Laudatio proferida por Aniello Angelo Avela e a Lectio Magistralis de Agustina Bessa-Luis, para além de um retrato da escritora por Alberto Luís. A sessão de doutoramento Honoris Causa realizou-se em Roma, em 17.IV.2008. Trata-se de uma edição bilingue de 1500 exemplares, dos quais 500 numerados e autografados; estes, naturalmente, não se encontrarão facilmente nem com este preço. Comprei um dos outros mil, anteontem, numa banca de livros na estação de metro da Trindade. Ainda havia por lá mais alguns.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







