segunda-feira, 19 de julho de 2021
Fragmentos
quarta-feira, 14 de julho de 2021
Respeito pela vida privada e familiar
segunda-feira, 12 de julho de 2021
Estratégias
domingo, 11 de julho de 2021
Questão moral
Nada na lei consente que se aplique uma medida de coação de prisão preventiva ou de obrigação de permanência na habitação enquanto não é cumprida, sem que tenha havido sinais de incumprimento, a medida de coação de caução que se considerou adequada. E isto tanto vale para uma caução de milhões, de milhares, de centenas ou de dezenas. Se assim não fosse, a um número significativo dos arguidos a quem foi aplicada medidas de coação de prisão preventiva ou de obrigação de permanência na habitação deveria ser dada a oportunidade de, consoante as possibilidades económicas de cada um, prestar caução substitutiva daquelas. Mais do que uma questão legal, seria uma questão moral.
segunda-feira, 5 de julho de 2021
segunda-feira, 3 de maio de 2021
Leituras
Em certos lugares da zona americana
uma distracção muito procurada consiste em assistir a um Spruchkammersitzung,
quer dizer, aos debates do tribunal de desnazificação. Um dos frequentadores
destes sítios é um homem com sandes embrulhadas num papel ruidoso, o qual, dando
mostras dum interesse nunca esmorecido, vê desenrolarem-se-lhe diante dos
olhos, raramente cansados, processos uns a seguir aos outros; conhece as salas
de audiência nuas destes palácios da justiça, meio destruídos pelas bombas,
onde já não há o menor vestígio da sádica elegância com que a justiça
habitualmente gosta de se ver rodeada. Seria errado pensar que ele se desloca
ao tribunal com as sandes para ali usufruir do tardio triunfo da justiça final.
É mais verosímil que se trate dum amador de teatro, que vem para aqui para
satisfazer a sua necessidade de arte cénica. Nas melhores ocasiões, isto é,
quando todos os participantes são suficientemente interessantes, um Spruchkammersitzung
constitui um drama cativante e de qualidade, alternando rapidamente entre o
passado e o presente, drama este que, por via dos intermináveis interrogatórios
das testemunhas, durante os quais nem um só dos actos dos réus, no decurso dos
doze anos considerados, é tido de somenos importância para ser silenciado, tem
o efeito de exercícios práticos de existencialismo. A atmosfera de
sonho e de irrealidade, em que se desenrola esta inspecção de pormenores provindos
das recordações lamentáveis ou medonhas duma nação inteira, suscita uma outra
associação de ideias de carácter literário. Nestas salas de sessão situadas no
topo de edifícios com tecto de clarabóia, as quais, com as janelas meio
muradas, as paredes absolutamente nuas, as suas frias lâmpadas incandescentes e
o seu pobre mobiliário danificado pelas bombas, criam o efeito duma
transposição para a realidade dos sótãos em cujos escritórios desertos se
desenrola O Processo, julgar-nos-íamos transportados para o mundo fantástico
de Kafka e do seu tribunal.
Do Capítulo OS TRÂMITES DA JUSTIÇA,
pags. 90/91
quinta-feira, 29 de abril de 2021
segunda-feira, 26 de abril de 2021
Um Portugal (im)perfeito
domingo, 25 de abril de 2021
sexta-feira, 23 de abril de 2021
Uma vergonha
quarta-feira, 21 de abril de 2021
Leituras
terça-feira, 13 de abril de 2021
Concluios
Há crimes que são particularmente vulneráveis a essas urdiduras, com fortes impactos socias e políticos. Estarão, nessa situação, os crimes de natureza sexual ou económica.
Karine Moreno-Taxman*, procuradora americana, esteve no Brasil como “resident legal adviser”, e foi consultora das autoridades brasileiras onde se integrava o juiz Moro. Em 2009, na presença de Moro e de centenas de polícias federais, ensinou que num caso de corrupção é preciso correr atrás do rei de maneira sistemática e constante para o fazer cair, ou que, a fim de que o poder judicial possa condenar alguém por corrupção, é necessário que o povo deteste essa pessoa. Não estive presente nas conferências que o juiz Moro deu em Portugal, pelo que não posso afirmar que tenha sido tão didático como a procuradora americana.
segunda-feira, 12 de abril de 2021
O acórdão 90
domingo, 11 de abril de 2021
Serviço público
Megaprocessos
quarta-feira, 7 de abril de 2021
Os submarinos
terça-feira, 30 de março de 2021
Os nós do populismo judiciário
terça-feira, 23 de março de 2021
Alianças
segunda-feira, 22 de março de 2021
A contaminação mediática
terça-feira, 16 de março de 2021
Um equívoco
domingo, 14 de março de 2021
Leituras
quinta-feira, 4 de março de 2021
Cartilhas
sábado, 6 de fevereiro de 2021
Memórias (Im)prováveis
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
O Portugal pequeno-corrupto
Do artigo de André Evangelista Marques, com o título em epígrafe, publicado pelo Público, em 28 de janeiro:
Se olharmos depois para a relação que cada um de nós mantém com o Estado e com a coisa pública, o que vemos muitas vezes é uma lógica privada de utilização dos recursos públicos. É assim nos serviços de saúde, onde a multiplicação de pequenos favores (a marcação de consultas contornando listas de espera, a admissão a hospitais fora da zona de residência, etc.) conduz a uma sobrecarga que bloqueia o sistema, quando não a uma confusão entre serviços prestados a título público e privado. É assim com todas as pequenas fugas ao fisco, que no conjunto diminuem de forma significativa a massa tributável. É assim no trânsito, onde todo o tipo de pequenas infracções (estacionar em segunda fila por “breves” instantes é o exemplo clássico) tornam a circulação mais difícil. E é assim em tantas outras circunstâncias em que cada um de nós se apropria do que é de todos.
Se olharmos para o mundo dos media e da cultura, vemos também uma distorção frequente do espaço público por interesses particulares que o tornam menos plural. Desde logo quando jornalistas, curadores e académicos, por vezes pagos com dinheiros públicos, escolhem destacar, programar ou escrever sobre o trabalho de artistas ou pensadores a quem os ligam relações pessoais ou de escola, sem terem em conta critérios mais objectivos.
Aludi a três aspectos em que se manifesta esta corrupção sem corruptos, mas os exemplos poderiam multiplicar-se. É fácil atribuir a responsabilidade aos outros, a uma classe em particular, às “chefias” ou a qualquer outra categoria abstracta. Mas a verdade é que incorremos demasiadas vezes em comportamentos deste tipo, quase sempre sem consciência de estarmos a corromper ou a ser corrompidos. Em alguns casos fazemo-lo como resposta resignada às ineficiências do sistema, como quando recorremos a uma cunha para conseguir tratamento para alguém doente, ou até com boas intenções, como quando prescindimos de uma factura por generosidade para com alguém mal pago."
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
Leituras




